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Back to Basics?

O contexto económico que vivemos leva-nos a pensar sobre os desafios que a sustentabilidade tem pela frente. Este conceito implica um equilíbrio em as vertentes económica, social e ambiental, algo difícil de conciliar sobretudo numa conjuntura em que a vertente da sustentabilidade financeira assume um papel determinante.

O conceito de sustentabilidade ainda não completamente interiorizado no consumidor português, encontra-se de certa forma generalizado devido à mediatização do fenómeno pelos media e pela publicidade. A expectativa mediante estes factos é para que, nos próximos anos, os consumidores passem a ter maior consciência e preferência por empresas que adoptem o seu compromisso com a sustentabilidade transversalmente a todas as áreas e práticas de negócio de forma ética e responsável.

A sustentabilidade não deverá ser encarada como a salvação para as empresas mediante o cenário de crise económica que o mundo atravessa, mas, é sem dúvida alguma, a orientação que poderá poupar o planeta do colapso face à escassez dos recursos naturais não renováveis.

Com a desaceleração do consumo e, consequentemente, a desaceleração da produção algumas organizações têm repensado seus processos de fabrico e utilização dos recursos naturais, em vez de estimular o consumidor para a necessidade de consumir.

As próprias equipas de research & development  deparam-se com alguns dos seguintes desafios:

  • Ter em conta o fim do ciclo de vida do produto (3Rs), e passar a incluir materiais reciclados nos seus produtos mantendo a qualidade técnica e sua eficiência. É necessário também preparar a indústria para receber e processar os produtos quando descartados pelo consumidor incluindo programas de reciclagem, o que pressupõe a existência de uma logística reversa;
  • Aumentar o ciclo de vida do produto, contraindo a lógica da obsolescência rápida e aumentando a sua durabilidade;
  • Eliminar conteúdos tóxicos que possam causar danos à saúde dos utilizadores e ao meio ambiente;
  • Manter a estética destes novos produtos coerente com os padrões instituídos na sociedade;
  • Ter um preço justo e acessível ao consumidor;

A sustentabilidade é, sobretudo, uma relação de interdependência entre o homem e o meio ambiente. Numa lógica de escassez de recursos eminente é necessário cada vez mais equacionar novas formas de pensar e agir, que possam promover uma mudança na forma de viver, consumir, trabalhar e de relacionar.

É necessário também não descurar os aspectos sociais, sendo que estes tempos de crise fazem-nos repensar: Será necessário crescer de forma desenfreada, ou talvez fosse necessário decrescer de forma sustentável com a redistribuição da economia de uma forma mais igualitária? Como enfrentar a crise de forma individual se a crise ultrapassa as esferas locais e se transforma cada vez mais em uma crise global?

Frente a estes desafios para os próximos anos, podemos considerar que uma das tendências relacionada com a sustentabilidade está na capacidade de repensarmos a nossa forma de pensar e agir, pois além da crise financeira que assistimos, estamos também em plena crise pela sobrevivência da espécie humana. A escassez de recursos naturais não renováveis, o aquecimento global e nossa cultura do ter e não do ser coloca-nos numa posição que impele á necessidade de uma mudança de comportamento e atitude.

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