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Festivais de Verão e Sustentabilidade

Analisando na óptica dos produtos/serviços “verdes”, os festivais de Verão surgem como uma boa oportunidade para a organização, patrocinadores, fornecedores e até para as autarquias anfitriãs comunicarem o seu compromisso com a sustentabilidade e com a responsabilidade social, não só pelo envolvimento de todas estas partes com a causa mas também porque se trata de um momento em que podem desenvolver esforços para sensibilizar os festivaleiros para o tema.

Atentas às tendências e sensíveis ao tema da sustentabilidade, as organizações promotoras já vêm apostando para lá da música, anunciando eventos cada vez mais sustentáveis. No entanto, as medidas adoptadas passam pela essencialmente pela redução do ruído e pela reciclagem dos resíduos e, como tal, ainda existe algum caminho a percorrer nesta matéria.

Na perspectiva da minimização do impacto ambiental ao longo do todo o ciclo de vida do evento, é importante que a organização estabeleça previamente uma estratégia 360º, integrando no seu planeamento questões como a localização do evento, a optimização das acessibilidades e transportes, envolvimento prévio das marcas associadas para que a temática da sustentabilidade esteja presente na sua comunicação e equacionada nas activações de marca no recinto, preocupação com a separação dos lixos, consumo de energia, utilização de materiais recicláveis ou biodegradáveis e até no aproveitamento da temática para dar espaço à expressão artística, com exposições e apelo à interactividade dos visitantes. Um outro exemplo é a procura de parcerias com ONGs nesta área, dando visibilidade aos seus projectos e até apostando em acções específicas em torno do evento.

Passando a exemplos práticos e actuais, nota positiva para edição de 2011 do Delta Tejo, que desenvolveu uma acção de sensibilização dos visitantes para a importância da reciclagem dos resíduos. Na entrega de cinco copos de plástico, a organização oferecia um brinde produzido através da reciclagem de embalagens de café Delta pela associação ReKlusa. Para além da componente ecológica, o compromisso do festival com a responsabilidade não foi esquecido. Cada um dos dias do festival esteve ligado a uma instituição (Fundação do Gil, Associação Reklusa e Associação Abraço). As três instituições tiveram um espaço no recinto do festival, no qual apresentaram os seus projectos e ainda três linhas de valor acrescentado, criadas pela Delta Cafés, para as quais os festivaleiros e qualquer interessado, podiam ligar e contribuir directamente.

No que concerne a distinções internacionais nesta área, destaque para o Greener Festival Award, o mais elevado galardão mundial de eventos ambientalmente conscientes, em termos de uso da água, saneamento, emissões de CO2, utilização de transportes públicos ou consumo de energia. Por cá, o Boom Festival, que se realiza de dois em dois anos em Idanha-a-Nova, já venceu pela segunda vez consecutiva este galardão. Este festival é um evento multicultural, ecológico e auto-sustentável. Tem um modelo único de organização que junta à consciência ambiental um elevado detalhe estético. O Boom dá aos diversos artistas a oportunidade de criar estruturas naturais com bambu, barro, cana e materiais reciclados. É o festival realizado em Portugal com maior projecção mundial, sendo que em 2010, o Boom atraiu a Idanha-a-Nova 20 mil pessoas oriundas de 70 países.

Concluindo, os festivais de Verão, enquanto eventos únicos que combinam sol, calor, diversão, música e arte, são excelentes oportunidades quer para as entidades organizadoras e autarquias, quer por parte das marcas no desenvolvimento de uma estratégia de sustentabilidade que lhes permita não só reduzir o impacto ambiental do evento, mas sobretudo na oportunidade que existe para o desenvolvimento de activações de marca por parte das marcas patrocinadores que incluam também como meta sensibilizar os visitantes e convidá-los a participar activamente na construção de um planeta melhor.

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