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Puxar a brasa à nossa sardinha

Em mês de Santos Populares, falemos de sardinhas e de sustentabilidade!

Pois bem, comecemos pela sua definição. As sardinhas são peixes da família Clupeidae, aparentados com os arenques. O nome “sardinha” vem da ilha Sardenha, onde um dia já foram abundantes. E é precisamente na questão da sua abundância ou da falta dela que é preciso fazer um alerta. Engana-se quem pensa que o oceano é uma fonte de recursos inesgotáveis. A sardinha, por exemplo, pescado popular em algumas regiões do globo foi considerada uma espécie que sofre de sobre exploração.

Segundo dados do Greenpeace:

  • ¾ dos stocks de peixe do mundo estão totalmente explorados, sobreexplorados ou esgotados; 88% dos stocks de peixe em águas comunitárias estão sobreexplorados.
  • 90% das populações dos grandes peixes predadores (como o atum, o bacalhau e o peixe espada) estão esgotadas.
  • Actualmente só 1% dos oceanos e mares do mundo estão totalmente protegidos, uma percentagem ridícula quando comparada com os espaços naturais protegidos em terra (11%).

Relativamente ao contexto português, a sardinha, com 62 000 toneladas, representa cerca de 45% dos desembarques em peso efectuados em lotas nacionais. Os desembarques somados da sardinha, cavala e carapau representam quase 65% da pesca total descarregada em portos nacionais.

Mas nem tudo são notícias alarmantes. O que é de facto um feito assinalável é a relação existente entre a sardinha portuguesa e a sustentabilidade. É importante referir que a sardinha capturada na costa Portuguesa é a única espécie de peixe no quadro da União Europeia e da Península Ibérica a obter o rótulo azul com a certificação de sustentabilidade e boa gestão dos recursos piscatórios MSC (“Marine Stewardship Council”). Esta certificação é uma oportunidade para toda a fileira da sardinha, no sentido é possível pensar e planear a actividade com base na sustentabilidade e durabilidade do recurso.

Enquadrando o tema com as marcas, a sardinha, nomeadamente a sardinha assada, é sem dúvida uma das marcas da gastronomia nacional, que já lhe valeu a distinção de ser uma das sete maravilhas da gastronomia nacional, na categoria peixe.

Concluindo, a sardinha é um exemplo a seguir em muitas áreas com a preocupação de sustentabilidade dos recursos que está subjacente ao processo de certificação da sardinha, nomeadamente no que diz respeito aos limites de captura do pescado impostos, pois os recursos são limitados e precisam de ser geridos de forma muito eficaz e sustentável. Boas Festas!

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