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Sustentabilidade: Desafio Global?

Este mês gostaria de dar destaque algumas conclusões que retirei e que gostaría de partilhar convosco, na sequência de um evento sobre a sustentabilidade que decorreu no ISEG:

  1. Assistimos a uma mudança de paradigma em que os consumidores passam a ser prosumers, produzindo e monitorizando os seus consumos. Exemplo desta realidade é o projecto Inovcity da EDP. Este conceito, focado na eficiência energética e económica, teve como palco a cidade de Évora e integrou tecnologias emergentes como a micro-geração e os veículos eléctricos.Em casa de cada cliente Inovcity foi colocada uma box que permite entre outras funcionalidades, efectuar as leituras e operações de forma remota, facturação baseada em consumo real acessível a todos, permitindo a sua monitorização. Os resultados de eficiência energética conseguidos fazem deste um case-study de excelência na área da sustentabilidade, tendo sido reconhecido internacionalmente com o prémio “Utility of the Year Award” no início de 2012. Até 2020 espera-se que 80% das redes europeias de distribuição eléctrica sejam constituídas por redes inteligentes.
  2. A sustentabilidade é cada vez mais um fenómeno transversal a diversas áreas de negócio. O exemplo veio do sector financeiro por parte BES. Este sector apesar de não ser o que mais contribui para a pegada ecológica, é chamado a desempenhar um papel de relevo enquanto intermediário financeiro, sendo que a sustentabilidade é encarada em três dimensões: project finance, gestão de activos e inclusão financeira. É sobretudo na área da responsabilidade social que o BES vê concretizado grande parte do seu compromisso com a sustentabilidade, através de mecenato cultural, da aposta na ciência e inovação, na educação e literacia financeira, na área da solidariedade e na área do ambiente e da biodiversidade.
  3. A importância de olharmos para a sustentabilidade na perspectiva da adaptabilidade.Este foi o eixo da apresentação do Boston Consulting Group, que se foca na conclusões do terceiro relatório conjunto realizado com o MIT. Para a consultora, a sustentabilidade deverá ser entendida na óptica da adaptabilidade com vantagens na área ambiental (minimizando consumos, substituindo recursos, reduzindo a poluição), económica (adaptando continuamente o modelo de negócio e construindo um ecossistema adaptativo) e social (apostando em novos mercados e contribuindo para a comunidade). Por fim, é salientado que o esforço da adaptabilidade compensa, isto é, a capacidade de adaptação das empresas é um factor de diferenciação e factor-chave na criação de valor.
  4. A sustentabilidade deverá ser entendida também na óptica da gestão de riscos. Este foi o mote um estudo elaborado pela KPMG em parceria com a Euronext sobre os riscos e oportunidades do desenvolvimento sustentável nas empresas portuguesas cotadas em bolsa. Cerca de 83% das empresas inquiridas afirma ter um modelo de gestão de risco em que a sustentabilidade já está incluida. Como principais desafios deste estudo salientam-se a necessidade de melhorar desempenhos, a reputação e os diálogos entre stakeholders, sendo que as principais dificuldades encontradas foram a gestão fragmentada dos temas da sustentabilidade dentro das empresas, a dispersão geográfica/diversidade de negócios e a necessidade adicional de recursos financeiros. Destaque também para um estudo divulgado pela consultora este ano intitulado “Expect the Unexpectable” em que são traçados quatro cenários futuros: “brown world”, em que se postula a continuação do “business as usual”, o “red world” em que assistiremos ao colapso dos recursos, um “green world” em que prevalece um cenário de regulação e substituição de recursos e um “blue world”, em que se evolui para um cenário de transformação.

Por fim, destaco a constatação que ficou evidente ao longo de todo o evento e através destes exemplos que a sustentabilidade é simultaneamente um desafio global e local, sendo que abarca por um lado um cenário macro-económico mas que por outro diz respeito a cada um de nós e ao nosso contributo através das nossas acções do dia-a-dia e na dimensão que podem assumir num contexto de um mundo global.

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